Transformar o registro de pets perdidos de Taiwan num mapa: endereços, dados pessoais e bichos sem chip
A sexta ferramenta está no ar: Pets perdidos. Não é mais um grupo de buscas: ela desenha os dados oficiais num mapa e acrescenta as duas coisas que o sistema oficial não faz — cadastrar um bicho sem microchip e deixar quem o vê avisar sem criar conta. (A ferramenta em si está em chinês.)
2026-08-25(2026-08-31 更新) 作者 William Hsu
De onde vêm os dados
O Ministério da Agricultura de Taiwan publica um conjunto aberto de “avisos de pets perdidos” (data.gov.tw, dataset 77682), atualizado continuamente, com mais de setenta mil registros acumulados e cerca de dez mil nos últimos dois anos. Cada um traz raça, cor, marcas, data do sumiço, um local em texto livre e a URL de uma foto. O site oficial é só uma lista, sem mapa, e só aceita casos com microchip e com aviso feito pelo tutor — muitos gatos não têm chip e nem entram no sistema.

Por que geocodificar endereço é difícil em Taiwan
Dos casos dos últimos dois anos, 60% trazem rua e 40% trazem número. Primeiro testei o geocodificador gratuito do OpenStreetMap (Nominatim): com número, 30 consultas deram 0 acertos — o OSM quase não tem números de Taiwan. Tirando o número e deixando só o nome da via, cerca de 70% chegava ao nível de rua.
A solução de verdade foi que cada prefeitura publica suas próprias coordenadas de endereço como dado aberto (Taipé, Nova Taipé, Taoyuan, Taichung, Tainan, Kaohsiung, Changhua e outras; 15 no total): 4,59 milhões de endereços com coordenadas TWD97. Baixei tudo para uma tabela local e consulto na importação, sem chamar serviço externo nenhum. Resultado: dos 7.844 casos com município, 2.844 chegam ao número, 451 à viela, 1.042 ao trecho de rua e o resto só ao município. Nantou, Yilan, a cidade de Chiayi, Keelung e Lienchiang não publicam esses dados, e Yunlin bloqueia download automático, então por ora ficam no nível de município.
- Armadilhas encontradas: quatro formatos de código municipal, seis condados em BIG5, Penghu e Kinmen em outra zona de projeção, nomes de coluna em inglês, endereços rurais de Tainan sem nome de rua e um servidor de download que só responde com uma versão antiga de TLS.
Localização e dados pessoais
O lugar onde o bicho sumiu costuma ser a casa do tutor, então uma coordenada com número fixaria o endereço de alguém num mapa público. Por isso toda coordenada publicada recebe um deslocamento fixo de até 100 metros (com semente no número do chip, calculado uma única vez, para que ver várias vezes não permita tirar a média e voltar ao original) e é desenhada como um círculo de 300 metros; casos no nível de rua usam a posição média daquela via e dizem isso; casos municipais são colocados aleatoriamente dentro do limite do município.
Os campos de texto livre são piores. Varrendo dois anos de dados apareceram 96 registros com o número completo e vários com celular, LINE ou nome do tutor — alguém chegou a escrever um telefone no campo do nome do pet. Tudo isso é apagado automaticamente na importação (endereços cortados no nome da rua). O site não mostra nenhum contato: para falar com o tutor de um caso oficial, você volta ao site oficial. As fotos apontam para a fonte oficial, aqui guardamos só miniatura e uma cópia média, e uma checagem diária apaga a nossa quando a oficial sai do ar.
Bichos sem chip
O aviso oficial exige número do chip e documento do tutor, então um bicho sem chip não pode ser declarado. Daí o cadastro próprio no site: entra-se com o Google, nenhum e-mail é enviado e nenhuma senha é criada; quem cadastra decide se publica um LINE ou telefone, e isso só aparece para quem está logado e aperta “mostrar”, com limite diário para não dar para raspar em massa. Quem encontrou um bicho também pode cadastrar. Qualquer pessoa que o veja pode avisar sem login — posição, hora, foto — e aparece no caso.
As fotos enviadas têm o EXIF removido (fotos de celular carregam GPS) e passam pela mesma checagem local de nudez das ferramentas de foto.
Como os avisos de avistamento foram desenhados (no ar desde 28/08)
Quase ninguém vai criar conta para ajudar o cachorro dos outros a voltar para casa. Por isso avisar não exige login nenhum: aperte “avisar avistamento” no mapa, toque onde viu — o alfinete pede confirmação e pode ser arrastado —, preencha a hora, duas frases e anexe uma foto.
A foto é obrigatória. O tutor reconhece o bicho pela foto; tremida ou só de costas serve — qualquer coisa é melhor que nada.

Depois de enviar, o sistema lista os casos abertos por perto cuja espécie e datas batem, e quem avisou abre as fotos para comparar e confirma “é esse” antes de o aviso ser vinculado. A correspondência automática foi deixada de fora de propósito: só quem viu o bicho consegue distinguir, e um erro do sistema manda falsa esperança para alguém que está procurando o seu.
Se nada por perto bater, tudo bem: o aviso fica no mapa como avistamento de bicho sem dono conhecido, e mais tarde alguém pode reconhecer e reivindicar. Tutores de casos já reivindicados recebem e-mail. Em nenhum momento o contato de alguém aparece.
O que esses dados não permitem afirmar
O conjunto só cobre animais com chip e com aviso registrado, então não dá para dizer “em que distrito somem mais pets”: ele reflete a taxa de registro, não a de sumiço. Cada página municipal avisa isso. O que o mapa faz é, quando você acha um cachorro, mostrar em trinta segundos quem está procurando por perto.
A ferramenta em 42 segundos
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